Críticas, Filmes

Crítica Sincera | Planeta dos Macacos: A Guerra

312554O primeiro frame que nos é mostrado já evidencia uma boa sacada da produção, que refresca nossa lembrança sobre os acontecimentos dos filmes anteriores, dando uma boa ideia do que se passou em Planeta dos Macacos: A Origem, de 2011, e em Planeta dos Macacos: O Confronto, de 2014, mostrando que é possível assistir Planeta dos Macacos: A Guerra sem ter visto seus antecessores, ainda que, obviamente, não seja possível ter a mesma imersão de quem acompanha a saga desde o seu início.
Nos filmes anteriores, Kobo, um antigo aliado símio de Cesar, devido aos maus tratos sofridos enquanto fora cobaia de cientistas, acaba se rendendo ao ódio que o faz travar uma guerra contra os humanos mesmo contra a vontade de seu líder, o que causa a morte de vários dos seus. O vírus que se espalha e erradica a humanidade, agora, sofre mutações e tem diversas consequências nos humanos, agravando a situação da humanidade. Cesar e sua família buscam a sobrevivência, um local para chamar de “casa”, porém, o legado de Kobo não o deixará em paz em nenhum momento.
É válido lembrar, antes de imergirmos na crítica, que diferente de muitas franquias que estamos acostumados a acompanhar – que lançam novos filmes quase que anualmente – o espaço de tempo entre os filmes da série Planeta dos Macacos são lançados a cada três anos, muito graças à qualidade de seus efeitos especiais que exigem tempo e dedicação por parte da sua equipe.
Uma das primeiras curiosidades que posso dizer sobre o terceiro filme do reboot da renomada série Planeta dos Macacos, é que o título para português brasileiro nos gera um certo pré conceito por conta da semelhança com o segundo filme da série, Planeta dos Macacos: O Confronto. O título original do novo filme é War for the Planet of the Apes, algo que pode ser traduzido como a “Guerra pelo Planeta dos Macacos”, o título por si só se fosse traduzido de tal forma entregaria grande parte da narrativa que Matt Reeves cria em sua segunda direção. 
A busca pela “Terra Prometida” é o tema central da trama que deixa a guerra entre humanos e macacos quase que em segundo plano nesta nova jornada de Cesar, muito por conta do enfoque não apenas no conflito, mas também nas motivações dos personagens que nos são reapresentados. Dentre todos eles, podemos destacar o vilão vivido por Woody Harrelson, que nos surpreende do inicio ao fim, ele é o típico personagem caricato que nos cativa por aquilo que ele nos apresenta como principal motivo para fazer aquilo que ele faz. Suas atitudes não são as mais corretas, por um lado, mas, pelo outro, podemos ver que ele é o retrato mais verossímil da história do Homem até os dias atuais.
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A palavra “história” é fundamental em toda a narrativa de Planeta dos Macacos: A Guerra, porque podemos ver com nossos próprios olhos diversos momentos que a humanidade já passou e ainda passará pelas suas próprias mãos. Chegamos a nos questionar durante o filme com a seguinte pergunta: Ainda há humanidade nos ditos “humanos”? Ao longo do filme, pude ter a minha resposta vendo que o Homem não precisa de um vírus ou de macacos para se destruir, mas apenas do ego e da ganância que o mesmo utiliza como “desculpa” para seus feitos.
A outra ponta do filme é a sombra de Kobo, que ainda assombra Cesar em seus passos, muito por conta de um evento que ocorre durante sua jornada que o faz ter a “sede” pela vingança contra os humanos, especificamente contra o vilão do filme, o Coronel a qual citei acima. O nosso herói luta contra si mesmos diversas vezes para não ser tomado pelo ódio contra os humanos, para não repetir os passos de Kobo. Uma das formas que ele encontra de fazer com que o ódio não o possua é uma das atrizes que nos surpreendem ao longo do filme, Amiah Miller, a criança que aparece nos trailers e que é encontrada por Cesar e sua trupe.
A surpresa que o filme traz não é destinada apenas ao aprofundamento da série, mas a entrada de um personagem que traz o “alívio cômico” para a trama, não contendo piadas complexas, mas sim simples e dignas de boas risadas, algo que quebra a imersão que o filme apresenta, porém, de forma concisa e natural.  Um dos desenrolares da trama que é gratificante ver é o resultado da mutação do vírus, algo que veio sendo deixado de lado para dar lugar à guerra e mais guerra. A solução que o Coronel aborda não é a mais adequada ao filme, podemos perceber em uma das frases que é encontrada no acampamento dos soldados diz: “King bom é King morto” (traduzido do inglês para português brasileiro).
A semelhança com nós mesmos e a luta pela sobrevivência fazem parte de Planeta dos Macacos: A Guerra, um filme que conta com um roteiro cheio de plot twist, em que você não sabe, de fato, em que pé dará a trama. O final, nada esperado, mostra algo que quem esperou 3 anos pelo filme gostaria de ver: o possível encerramento da série por aqui. Por mais triste que pareça, saber parar no topo é algo para poucos diretores, e Matt Reeves mostrou que é um destes.  Espero poder ver no futuro mais filmes da franquia Planeta dos Macacos, pois este é uma daqueles filmes que parecem apenas ficcionais, mas que se mostra, na prática, um belo drama que retrata, de fato, o que nós somos e aonde iremos parar.

NOTA DO FILME: 10,0

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